Ponto Digital

Confira as novidades

Sobre dança, masculinos, femininos e perguntas que não têm respostas

Oficina Fleshion, de Thelma Bonavita. Foto: Ricardo Assem

Oficina Fleshion, de Thelma Bonavita. Foto: Ricardo Assem

Partindo de reflexões a respeito de construções de gênero, sexo e sexualidade e considerando o corpo como o local onde essas coisas acontecem, a efervescente mesa sobre dança em tempos de novos masculinos e femininos foi inevitavelmente permeada por temas que atravessam a dança e outras camadas da nossa existência em sociedade. Lugares de fala, representatividade, machismo, patriarcado, estratégias de resistência, finalizando com uma série de reflexões sobre perguntas para as quais ainda não temos respostas.

Adriana Grechi, uma das integrantes da mesa, falou sob a perspectiva do processo de criação do espetáculo Bananas, que investiga o desejo e o imaginário masculinos na interpretação de bailarinas mulheres.

Invenção do Corpo

Reflexões de Adriana Grechi

“Trabalhar com dança é inventar corpo constantemente. Quais são as normas que estão agindo sobre esse corpo pra poder transformar. Se você pensa na invenção de um corpo esse corpo também se inventa na relação com os outros corpos”

“Eu me interesso em estudar como as relações de poder vão se inserindo nos corpos. E pensar em gênero eu acho que eu to pensando em relações de poder”

“Esse outro corpo pra gente é o fundamental. Por que a gente experimentou esse corpo macho justamente para  desmanchar, pra amolecer pra transformar e gerar um corpo estranho, um corpo que vai desviando das normas, um corpo queer nesse sentido.”

Cavalos de Tróia

Outro ponto levantado foram as possíveis estratégias de resistência e de promoção de transformações sociais.


Rafael Lucas Bacelar, do coletivo Toda Deseo, apontou a conexão entre iniciativas artísticas de ocupação urbana como uma possibilidade. “Estes pequenos polos espalhados tem uma potência grande quando se conectam”

“Tem que ser rápido”, pontuou Adriana Grechi sobre possíveis estratégias de resistência.

Perguntas para as quais não temos respostas

A mediadora Clarissa Sacchelli propôs como reflexão o levantamento de perguntas que possam nos manter deslizando nos temas:

“Como eu posso transformar o meu corpo inteiro num corpo sensório, a ponto do fio da cabeça até a ponta do pé pra fazer com que ele, se ele passa a ser todo a mesma coisa, uma grande massa de sensação, eu vou esquecer que eu tenho seio, eu vou esquecer que o meu genital é x por que ele vai ser todo uma massa de sensação”


Algumas perguntas levantadas pelo público:


“Por que não questionamos a monogamia?”

“Temos como viver sem identidade? E porque a gente busca a identidade de uma forma tão voraz?”

“Como mudar o padrão e ideias sem apenas criar outras caixas ou fazer um trânsito entre elas?”

Texto de Mariana Krauss, editora web do Sesc Taubaté.

Baixe o Guia de bolso e aproveite!